Foi preciso muito tempo, muita dúvida e muita serenidade para compreender que fiz uma escolha definitiva há alguns anos. Diferente de todas as outras vezes em que escolhi, essa precisava ser de verdade, do íntimo, do mais puro e de coração. Não poderia trocar da mesma forma que trocamos uma roupa de número errado, um namorado cafajeste ou um produto vencido. Esta foi uma escolha para toda a vida.
Tudo o que já fiz nessa vida foi aprender. Aprender e ensinar são para mim os verbos mais ricos e puros da língua portuguesa. Aprender e ensinar são como ruas sem saída e, uma vez que estamos nelas, não podemos jamais abandoná-las. Nunca pensei que precisaria fazer isso, mas vamos lá:
EU ESCOLHI SER PROFESSORA. Não escolhi ser professora por falta de opção, por estar perdida ou porque é a profissão da minha mãe. Escolhi ser professora porque creio que é a mais NOBRE das profissões, a mais BONITA, a mais DIFÍCIL, a mais DESAFIADORA e a ÚNICA com a qual me IDENTIFICO.
Não me importo em passar domingos preparando aulas ao invés de passear com o namorado. Não vejo problemas em ficar quase maluca corrigindo provas e temas. Não me arrependo de ter uma profissão tão mal remunerada. Não sei se saberia ter qualquer outra profissão que não fosse a de professora.
Tenho pena das colegas que fazem o que fazem por falta de opção. Lamento que sofram tanto por termos salários tão injustos e reconhecimento zero. Não as culpo por viverem o tempo todo reclamando. Somos humanos e, como tais, estamos sempre insatisfeitos.
Escolhi ser professora porque não me importo de passar 90% do tempo pedindo que trinta e três adolescentes que odeiam inglês sejam legais comigo e prestem atenção. Escolhi ser professora porque tenho um prazer indescritível em olhar nos olhos dos meus alunos e saber que eles confiam em mim enquanto eu confio neles. Escolhi ser professora porque não consigo imaginar a minha vida sem a docência.
Escolhi ser professora quando brincava de dar aula para alunos invisíveis, com giz e quadro verde, no pátio de casa. Escolhi ser professora, mesmo quando uma de minhas mestras favoritas me disse que por gostar de escrever não deveria necessariamente fazer Letras, porque eu poderia ser médica, advogada e ainda assim escrever livros. Escolhi ser professora em todas as aulas maravilhosas que tive o prazer de ter, com professores tão maravilhosos. Escolhi ser professora porque apesar de todos os “poréns”, esta é a minha vida.
Pensei muitas vezes em desistir. Achei que poderia ser jornalista, talvez trabalhar com moda. Pensei que ser professora era ser menos: menos reconhecida, menos favorecida, menos rica. Pensei que seria professora apenas porque me disseram para ser. Pensei que ser professora era uma simples função. Felizmente, me enganei.
Sempre acreditei nas minhas utopias, por isso gostaria de agradecer e oferecer essa singela homenagem a todos os professores que conheço, aqueles que foram meus mestres, aqueles que são meus colegas e aqueles que virão a reconhecer suas vocações no futuro. Não sei se existe algo neste mundo que me faça tão feliz quanto estar em sala de aula e, por esse motivo, premeditando todas as possíveis voltas que a vida dá, gostaria de deixar registrado que, apesar de todo o consumismo, de todas as questões existenciais e todas as reflexões, termino essa viagem consumista estando ainda mais certa de qual é e sempre será a minha maior paixão.
Peço desculpas por fugir ao tema, mas senti que precisava fazer isso. Voltamos a nos ver no próximo blog. Bye!





